Amanda Emanuele Gomes Maio, 2º ANO “D”
Pessoas sempre estão buscando crescer na vida, ganhar algum dinheiro, algo que os conforte. E
não foi diferente com o entrevistado, que aos 28 anos, resolveu buscar melhorar sua condição
de vida. Manoel vendo as experiências dos outros em um garimpo, resolveu tentar a sorte
também.
De onde surgiu a motivação para você ir a um Garimpo?
“Ah, na época eu era novo... Mais novo né. Sempre tive vontade de adquirir algo de melhor na
minha vida. Aí eu pensei, ah eu vou pro garimpo. Tinha um amigo meu que já havia ido umas
duas vezes e voltou, tinha ganhado bastante dinheiro; daí eu resolvi ir. Essa foi a motivação.”
Qual foi sua primeira impressão do lugar?
“Horrível.” "Ah, lá é um... O garimpo que eu fui, fica fora do país chamado: Guiana Inglesa. Só
mata, mato mesmo, é uma Amazônia lá. Os recursos lá são muito limitados. Quando eu
cheguei, eu me arrependi, mas já não podia mais voltar assim em cima da ‘bucha’ né. Então eu
tive que ficar lá.”
Alguma história que estará sempre na sua memória?
“Sim. A época que eu passei no garimpo foram oito meses, oito meses de dificuldade. Peguei
seis malárias, uma onça ia me comendo, cobras... Nossa, muito difícil. Lá é uma Amazônia
mesmo, afastada de tudo, entendeu? As recordações do garimpo eu nunca esqueço, só foram
mesmo coisas ruins.”
Você citou que uma onça quase ia lhe comendo. Poderia me contar como aconteceu?
“Um dia, nós estávamos na mata né, nós íamos para outro lugar, um lugar muito difícil que só
dava para ir a pé e uns tratores levando os equipamentos, que eram os equipamentos que
usávamos no garimpo. Aí tivemos que acampar em um determinado local, nós andávamos o
dia inteiro e não avançava muito. Chegou à tarde nós fizemos um acampamento e beleza...
Jantamos, fomos dormir ali por umas 20h; quando era umas nove e pouco, que eu penso que
não (Nosso acampamento tinha um cachorro que andava conosco, ele sempre ficava perto de
mim, ele deitou debaixo da minha rede) ... E daí, quando eu penso que não, um ‘trupé’ danado,
o cachorro gritando... A onça pulou por cima da minha rede e grudou no pescoço do cachorro e
saiu arrastando. Estávamos em bastante pessoas, todo mundo acordou, todos com lanternas
saíram gritando atrás do cachorro. Ela — a onça — foi para um lugar que era um alagado. Ela
entrou com ele na lama e não conseguiu arrastar mais, acabou soltando o cachorro; só não
matou ele porque quando ela deu o bote que pegou no pescoço, ela mordeu só a coleira... A
onça o soltou e foi embora. Mas eu falo que a onça quase ia me pegando, porque ela pulou por
cima da minha rede pra pegar o cachorro, foi isso que aconteceu.”
Quando você decidiu que já era hora de voltar?
“Bom. Eu decidi que eu tinha que voltar pra casa assim que eu cheguei lá, mas como eu não
tinha mais recursos. Porque os recursos que eu usei pra ir, haviam acabado. E na época que eu
fui, eu gastei uns três mil reais, naquela época, em 2008, três mil reais era bastante dinheiro.
Então eu iria ter que trabalhar e ganhar dinheiro pra eu voltar. E foi isso, eu fiquei lá oito meses
tentando ganhar dinheiro pra voltar, até que eu consegui ganhar um ‘dinheirinho’ e voltei.
Cheguei sem nada, mas consegui graças a Deus. Cheguei só os ossos né, porque... Eu tenho
uma estrutura mais ou menos, mas eu cheguei... Acho que eu cheguei com uns Cinquenta e
Nove quilos... Magro. Mais magro que uma... Ó, Sem Explicação.”
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